sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Estranhamento

Tá tudo tão tão esquisito, mas se você me perguntasse porquê, não saberia explicar.
Parece que é muita coisa, mas talvez não seja coisa nenhuma ou quase nada.
É confuso, dolorido e não me deixa dormir há duas noites.
Queria poder me salvar e lhe salvar dentro de mim.
Tenho conseguido, mas não é trabalho fácil não.
Fui ali no Paço passear.
Comprei "A Rebelião de Lúcifer", espero que seja bom.
"Minha Querida Sputinick", vai acabar antes de voltar pra casa.
Achava que ia voltar pra casa hoje, me enganei.
Quis comprar presentes, mas me faltou inspiração.
Quis tomar um espumone, mas faltou quem me acompanhasse com o capuccino.
Na volta, passei pelo Porto e senti saudades do tempo em que minha mãe trabalhava perto do cais, dos dias em que ia com ela, das gentes novas, das máquinas de escrever, dos papéis amontoados, das canetas, dos carimbos, do cheiro de biscoito que vinha da fábrica da Pilar.
Vi o Forte do Brum aberto e quis ir conhecer, mas o chefe já tinha me chamado pelo celular.
Na Ponte Limoeiro, tentei ver a Cruz do Patrão, mas não teve jeito.
Uma vez, passando por ali, ele me disse que tinha fantasmas de escravos lá.
Dias depois, passando por ali, o vi de mãos dadas com uma menina que não era eu.
Malassombros.
A gente não consegue escapar.

4 comentários:

Noemyr disse...

Que texto lindoo =)
Me identifiquei um pouco!
E eu adorei a imagem do seu avatar *-*
Copiei =)
Beijos :*

Aline Gianasi disse...

Coisas que a gente não escapa. Adianta fugir não... por aqui também anda tudo assim.

Júh Albuquerque disse...

Já lei o Garatuja faz um tempão, mas nunca tinha comentado.
Você escreve de um jeito tão simples e bonito que me sentia intimidada. Mas é que hoje os "estranhamentos" também estão presentes por aquie não tive como deixar de te dizer o quanto gosto daqui.
Que nossos "estranhamentos" passem logo.
Bju pra vc! ")

Juliana Brina disse...

Que texto lindo.
:)