segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Janeiro feroz
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Ainda não vi essa fotografia.
Você sabe do meu medo.
Sabe que o meu pensamento não conhece descanso.
Sabe que tudo fala comigo sobre o pior.
Sabe que eu presto atenção do jeito errado.
Sabe que talvez seja exagero. Mas, talvez não.
Você sabe do meu medo. Mas, e o seu medo, qual é?
Eu só queria jogar esses papéis fora e deixar pra lá.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
O teu nome.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
O meu bom dia abusado.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Eu ouço e danço.
Eu só conseguia olhar o que acontecia lá fora, em cima de um banquinho ou no colo de alguém.
As folhas do coqueiro alcançavam a varanda, eu não.
Mas, sabia que bastava atravessar a rua para ver o mar.
Lembro de ver a minha mãe saindo pra trabalhar e de sentir o coração doer de saudade pela primeira vez na vida.
Eu e a minha avó, duas choronas.
Às vezes, da varanda do apartamento ao lado, aparecia Tio Dudu ou Tia Anália e eu tinha que esconder depressa a chupeta embaixo da almofada do sofá.
O som das folhas do coqueiro.
Da vizinha chamando o meu nome.
Do choro do meu irmão.
Segundo.
Da janela do quarto, eu via o mundo que eram as papoulas lá embaixo e um horizonte de prédios.
Papoulas amarelas e vermelhas acordavam cedo, assim como eu.
À noite, eram as luzes das janelas que acendiam antes da lua.
Uma vez, vi um morto na rua da frente.
As pessoas chegavam e levantavam o lençol pra ver quem era.
A viúva chorava desesperada.
Um acontecimento.
Outro, era dia de Cosme e Damião.
O som do meu pai e minha mãe conversando até mais tarde.
Do arrastar dos chinelos da minha avó.
Do riso do meu irmão.
Terceiro.
A janela ocupava a parede inteira e eu via a Igreja da Soledade.
Muito carro, muita gente e a pessoa escolhida acenando pra mim.
Pela primeira vez, longe do mar, bem no centro da cidade.
Dali, avistava a praça, a farmácia, a padaria, a universidade.
Muito carro, muita gente e a pessoa escolhida sorrindo pra mim.
O chaveiro, o vendedor de tapetes, o lava-jato, o estacionamento.
Aos domingos, não tinha ninguém.
O som dos carros e das vozes.
Do sotaque estrangeiro
De música colombiana.
Quarto
Vejo prédio de tudo que é lado.
Um restaurante disfarçado de castelo.
Dá pra acompanhar a vida alheia e o ir e vir dos pombos que moram nas caixas de ar-condicionado.
Uma avenida que quase nunca para, mas a praia é logo ali outra vez.
A moça do milho, o manobrista do restaurante, os cachorros e os seus donos.
Os velhinhos caminhando, um bem-te-vi, aqui e ali.
Esses dias, as luzes de Natal e uma certa nostalgia.
O som de buzinas e freadas.
Das vozes da vizinhança.
Do meu par dedilhando o teclado do computador ou o violão.
Eu ouço e danço.
Eu sempre dancei, desde pequenininha.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Eu quebrei o copo e quis ir embora.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Eram meninos correndo por cima dos telhados.
Meninos mocinhos e bandidos. Meninos com pernas e pipas ágeis. Saltavam de um telhado para outro, porque em seu reino o medo não existia e a lua sorria marota. Eram meninos. Eram só as pipas, presas, sem as suas pernas ágeis. Eram pipas presas nos fios de alta tensão. Era noite. A lua sorria marota e os olhos só enxergavam o que queriam ver.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Para Helena Sá Barreto, minha mãe.
Ela, que sempre foi a mais bonita.
Ela, que eu queria ser quando crescer.
De quem eu quebrei a coroa, o colar e ainda desfiei a meia-fina.
Eu que era um desastre, filha dela que era a perfeição.
E ainda diziam que a gente se parecia, quando eu me sentia uma estranha no ninho.
Querendo a sua aprovação, a sua benção, o seu carinho.
Sem saber que estavam lá, que sempre estiveram lá.
Mesmo sem as palavras e os gestos esperados.
Porque as palavras e os gestos esperados podem não acontecer.
Dela pra mim, de mim pra ela.
Ela que foi o meu primeiro amor.
A primeira pele, o primeiro cheiro, o primeiro encontro.
Ela, que é rainha. A minha. Pra quem eu construiria todos os castelos.
O que talvez, ela nem saiba.
Ah, ela sabe.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Não fala nada
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
E tem esse lugar onde se é rainha.
No território desconhecido que é o Outro, é onde está fincada a nossa bandeira. A minha, tem um arco-íris, um sol, uma estrela e uma cruz vermelha. Tremula sob um calor de quase 40 graus. Mas, tem brisa. No Nordeste sempre tem brisa, Anarina. É nesse lugar imaginário que habito, como lembrança ou possibilidade. E em cada Outro, sou uma diferente de mim mesma. Embora tenha o mesmo cheiro, a mesma voz e as mesmas cores, cada um me traduz dentro de si a seu modo. Eu deixo. Eu gosto. Invento um porto pra cuidar do meu reino. Construo um forte de cinco pontas e levo os meus barcos para o mar.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Dos janeiros e fevereiros.
Veraneio era a casa com mais de cem anos em Porto de Galinhas. Chão de pedra. Cama de campanha para os mais velhos, colchão na sala para os mais novos. A espera do sol pelas frestas da porta pintada de vermelho. O barulho do mar, sempre o barulho do mar. O terraço de onde se avistava uma imensidão de areia branquinha. A água morna do primeiro mergulho. Só os olhos à vista. Nadar até os barcos, puxar a âncora e depois não saber como colocar no lugar. Passeio de jangada e medo de tubarão. Furar o pé no ouriço. Arranhar o joelho nas pedras. Esperar a moça da cocada, sentindo a tarde esfriar. Deitar no colo da avó. Sonhar ser sereia e acordar criança.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
E fez-se o encanto.
A menorá e as palavras escritas em hebraico. O kipá dos homens e a beleza das mulheres. Os abraços contidos. Os sentimentos, que iam do sorriso de reencontro ao desespero do pranto. A crença, a fé, os rituais milenares. Levados no sangue e na alma, de geração em geração. Mesmo na dor há beleza. E na despedida mais difícil, o renascimento. O encanto, guardo comigo. Sou olhos, ouvidos, braços e coração.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Foi hoje.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Feliz ano novo.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Novembro no Rio de Janeiro III
Rio de Janeiro em novembro (II)
sábado, 6 de novembro de 2010
Rio de Janeiro em novembro
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Cinco Pontas.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Hoje, o dia é verde como os olhos dele.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Vai pra rua!
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Fortaleza que também é minha.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Sabrina, aceita casar comigo?
sexta-feira, 12 de março de 2010
Hipnose
Não sei o que é mais grave: a seqüência repetitiva de movimentos dela ou a minha impossibilidade de parar de olhar.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Ei pessoal, vem moçada.
É esperar meu pai passar pra me pegar e perguntar se eu tô pronta pra guerra, "porque o Galo é uma guerra".
É chegar na concentração ali no Forte das Cinco Pontas e achar lindo o povo fantasiado, enfeitado, colorido e começar a entrar no clima ouvindo a passagem de som dos trios.
É reclamar do calor e comprar água mineral gelada pra molhar a cabeça.
É sentir os olhos encherem de lágrimas quando tocam os clarins anunciando que a festa começou.
Porque Naná, o Prefeito, o Governador e as autoridades todas podem anunciar a abertura do Carnaval na sexta-feira, mas só começa de verdade, quando o Galo sai e toma conta do Recife.
Não adianta, não existe outro rei nos dias de Momo.
É correr pra Concórdia pra ver se encontra um lugar pra ficar.
É ficar olhando pra ponta da rua, esperando o primeiro trio que sempre se atrasa.
É cantar junto com milhares de pessoas e sentir o coração pulsar no ritmo do frevo.
É aguentar o tanto que se pode o sol, o calor, o tumulto.
É aproveitar o tanto que se pode a alegria, a emoção, a energia.
É não ter onde pisar no chão na hora de ir embora, de tanta gente.
É sair de lá com a alma em festa, sentindo que o Carnaval pode acabar ali, que a missão foi cumprida.
Pra mim, o Galo da Madrugada é um dragão todo colorido.
E incendeia a gente. Pra sempre.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Alívio.
domingo, 29 de novembro de 2009
29 de novembro.
O que eu não imaginava é que anos depois, a pessoa com quem eu mais gostaria de parecer nesse mundo seria ele.
Foi por isso que no dia 7 de fevereiro, o segundo dia mais triste de 2009, senti alegria quando ele me disse que, como tio Dudu tinha ido embora, eu ia ter que ajudá-lo a carregar o estandarte da irreverência.
E quando ele diz isso, entendo que fala dessa vontade de viver à vida de acordo com a fé que se tem. No que seu coração deseja com mais força. Não sei se consigo. Não sei se ele consegue mesmo hoje, aos 61. Mas, sei que ele tenta e tenta com força. Também quero tentar e peço a Deus que me dê coragem, porque é disso que a gente precisa nessa vida que, como ele diz: se a gente não abrir os braços, engole a gente.
Dele, herdei o amor pela vida, a alegria nas pequenas coisas e o coração de Carnaval. Com ele, aprendo que é preciso se colocar no lugar do outro, que a primeira impressão nem sempre é a verdadeira e que é importante olhar o bonito das pessoas, porque defeitos e pequenezas, todo mundo tem.
Só posso achar graça quando ele me diz que queria me dar mais. Sinceramente, acho que não seria possível.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
O que eu desejo.
Que o entendimento aconteça no olhar.
Que as palavras sejam estilingues e não pedras.
Desejo que haja tolerância e muita paciência.
Que os defeitos de um, não machuquem o outro.
Que as qualidades de um, não ofusquem o outro.
Desejo que o tempo seja generoso
Que os dias passem em paz.
Que as noites sejam de festa.
Desejo que a a rotina não seja cruel
Que a paixão seja sempre descoberta.
Que o abraço seja sempre conforto.
Desejo que as vontades caminhem de mãos dadas
Que as diferenças e distâncias só sirvam para aproximar.
E que a fé no amor, seja salvação para todos os dias.
