segunda-feira, 24 de março de 2008

Todos os dias, ele cobre o passado com o lençol branco preferido.

Como se assim, ela não fosse perceber um elefante no meio da sala. Pelo esforço dele, ela disfarça. Arruma os móveis e a vida, como se não houvesse um animal enorme e feroz à sua espreita. Imagina o que ele imagina. Imagina se ele, realmente, acredita que omitir faz inexistir. Feito mágica. Entende como cuidado, como carinho. Por isso, finge que não vê. Enquanto ele, finge que não sabe que ela finge que não vê...

O problema é que o passado é bicho teimoso. Certas noites, faz um barulho tão medonho, que não deixa ninguém dormir. E o lençol branco preferido não consegue esconder as palavras que grita, mesmo em silêncio.

5 comentários:

que cresceu borboleta ! disse...

-
'Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para ver se está bem morto', ...assim disse Shakespeare

Briza disse...

eita, que sabedoria, né?
;)

Tatit disse...

eu li o título e disse em voz baixinha: caralho!

Briza disse...

mandei e-mail, coração.

Thata disse...

eita...que outro dia vc disse que nem tudo o que escreve é sobre você. daí eu sempre fico na dúvida heheh
mas como alguém pode escrever uma coisa dessa sem ser pessoal?
de qq forma, muito bom.
bj